Comunicação e Educação Ambiental: será que estamos atingindo as pessoas?
Samantha Graiki Proença, que é geógrafa e educadora, especialista em Ensino de Geografia pela UNESP e Gerenciamento Ambiental pela ESALQ-USP, fala ao Baru sobre reunião Câmara Temática Nacional de Educação Ambiental Climática, do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima - CTNEAC/FBMC e da Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática - RIPERC.
Letícia Jury
15 de março de 2025
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O Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas é celebrado em 16 de março. Neste momento, em que os veículos de comunicação desempenham um papel fundamental na conscientização da sociedade sobre o tema, o Baru entrevistou Samantha Graiki Proença, que é geógrafa e educadora, especialista em Ensino de Geografia pela UNESP e Gerenciamento Ambiental pela ESALQ-USP.
Samantha Graiki é integrante da Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática (RIPERC) e do grupo de estudos em Bioeconomia Circular Sustentável (ESALQ-USP). A geógrafa representa o Famílias pelo Clima na Coalizão Brasileira pela Educação Climática (CBEC) e na Câmara Temática Nacional de Educação Ambiental Climática no Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (CTNEAC/FBMC). Ela é também líder de realidade climática pelo The Climate Reality Project Brasil, voluntária no Coletivo Socioambiental de Atibaia e no movimento Famílias pelo Clima.
A pesquisadora fala um pouco sobre a reunião que aconteceu no início do mês, da Câmara Temática Nacional de Educação Ambiental Climática, do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima e a Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática (RIPERC), que teve como tema ‘Educação, Informação e Participação: pilares para o enfrentamento climático local’.
Participaram da reunião, Paulo Nobre, do INPE, com a palestra ‘Mudança Climática Global, nós estamos conversando?’; Irene Carniatto do CTNEAC e RIPERC; Jaqueline Guerreiro do REBEA; Evandro Albiach Branco, do INPE, dentre outros convidados.
Letícia Jury – O objetivo dos encontros é refletir sobre a relação entre comunicação e educação no contexto das mudanças climáticas, como o próprio nome sugere?
Samantha Graiki – A reunião que aconteceu no dia 7, vinculou duas instituições coordenadas pela professora Irene Carniato do CTNEAC, que tem uma bagagem muito extensa em Educação Ambiental e agora Educação Ambiental Climática. Então foi entre a RIPERC, que é a Rede Resiliência e Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática, do qual eu também faço parte, e também da Câmara Temática Nacional de Educação Ambiental Climática do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. A professora coordena as duas.
Letícia Jury – Quando começaram as articulações da Câmara Temática Nacional de Educação Ambiental?
Samantha Graiki – Ela está no âmbito do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima e começou a ser articulada no ano passado, em 2024, quando a coordenação foi dada à professora Irene. O coordenador geral do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima é o Sérgio Xavier. O FBMC é um canal de articulação entre o Governo Federal e diversos setores para enfrentar a crise climática. Vinculado à Presidência e ao Ministério do Meio Ambiente, atua na formulação e implementação de políticas climáticas em todos os biomas. Seu novo modelo fortalece essa missão por meio de Câmaras Temáticas Nacionais, reunindo especialistas para desenvolver diretrizes estratégicas em áreas como energia, agricultura e gestão pública.
Letícia Jury – Então são várias as Câmaras Temáticas?
Samantha Graiki - Algumas das Câmaras Temáticas do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima incluem Educação Ambiental Climática, Adaptação e Infraestrutura Verde, Finanças Sustentáveis, Cidades Verdes, Transporte e Mobilidade Carbono Neutro, Bioeconomia e Comunicação e Jornalismo Climático. Cada uma dessas frentes reúne especialistas para desenvolver estratégias e diretrizes para a ação climática no Brasil.
Letícia Jury – No ano passado vocês começaram a construir um documento?
Samantha Graiki - Um plano de ação para este ano de 2025. Agora temos que fazer um plano que seria um plano de ação para os próximos 10 anos, no qual já elencamos metas. Por meio de uma votação. cada um dos participantes votou em três metas que acreditam que são possíveis a gente colocar em prática no município onde atuamos. Então qual foi o objetivo geral da reunião? Foi apresentar esse plano, embora a gente já tivesse apresentado entre os membros no final do ano passado, mas apresentar essas metas e articular com as pessoas que participaram da reunião resulta em possíveis sinergias para colocar essas metas em prática.
Letícia Jury – Como foi a palestra com Paulo Nobre?
Samantha Graiki - Ele questionou bastante com quem estamos conversando e de que forma estamos comunicando a emergência climática. Será que estamos realmente atingindo as pessoas? Ele inicia sua palestra com uma afirmação interessante: diz que o nosso presente será o futuro das nossas crianças e que tudo o que decidirmos, para o bem ou para o mal, será nosso legado — e elas viverão nesse futuro. A partir daí, ele discute o que está ao nosso alcance fazer e o que não está. Ele também questiona a governança, destacando que, embora sejamos pesquisadores, ativistas, acadêmicos e integrantes de organizações, redes, movimentos e coletivos, não temos tanto poder de decisão. No entanto, há ações que podemos realizar.
Letícia Jury – Foi uma reunião que trouxe esclarecimentos e motivou as organizações a trabalharem ainda mais?
Samantha Graiki – Sim, a professora Irene reforçou a importância da sinergia e destacou que a câmara temática está à disposição do INPE para ampliar e potencializar seus projetos. Defendeu a necessidade de dar visibilidade aos trabalhos coletivos e integrar escolas, universidades, igrejas, movimentos e comunidades tradicionais. Ressaltou que o espaço deve unir esforços sem discutir especificidades de cada parceiro nem envolver questões partidárias ou religiosas.